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Grupo Prime: Alta dos juros, eventos climáticos e restrição do crédito levam gigante do agronegócio a buscar recuperação judicial

  • Foto do escritor: Paulo Barretto
    Paulo Barretto
  • há 19 horas
  • 2 min de leitura

O pedido de recuperação judicial do Grupo Prime, grupo paranaense ligado ao agronegócio, com dívidas que somam cerca de R$ 790 milhões, evidencia as dificuldades financeiras enfrentadas por empresas do setor em meio ao encarecimento do crédito, juros elevados e deterioração das condições de mercado.


No processo protocolado na Justiça do Paraná, o Grupo Prime atribui a crise financeira a fatores como a alta da taxa Selic e do CDI, a queda dos preços das commodities agrícolas, eventos climáticos adversos, retração do crédito rural e o ciclo de baixa da pecuária. O grupo também solicitou que fazendas, equipamentos, caminhões, veículos e demais estruturas utilizadas nas operações sejam reconhecidos como bens essenciais para a continuidade das atividades.


De acordo com Paulo Barretto, advogado do escritório Dosso Toledo Advogados, com sede em Ribeirão Preto – SP, o cenário vivido pelo Grupo Prime não é isolado e tem sido percebido em diferentes segmentos do agronegócio.


“A combinação entre juros elevados, redução da oferta de crédito e oscilações de mercado tem colocado diversas empresas rurais sob forte pressão financeira. Temos acompanhado situações semelhantes entre nossos clientes, que buscam mecanismos jurídicos para reorganizar o passivo e preservar a atividade econômica”, afirma.


Segundo o especialista, a recuperação judicial - assim como a extrajudicial - deixou de ser vista apenas como uma medida extrema e passou a ser uma ferramenta importante para permitir a continuidade das operações e a renegociação organizada das dívidas.


“Quando utilizada de forma estratégica, o pedido de recuperação permite criar um ambiente de negociação mais equilibrado com os credores, preservando empregos, contratos e a própria capacidade produtiva da empresa. O objetivo é superar uma crise financeira conjuntural, sem comprometer a atividade operacional”, explica Paulo Barretto.


O advogado destaca ainda que a discussão sobre a essencialidade de bens ligados à produção rural tem ganhado importância nos processos envolvendo o agronegócio.


“Em muitos casos, máquinas, veículos, fazendas e estruturas logísticas são indispensáveis para a geração de receita. A preservação desses ativos pode ser determinante para o sucesso do processo de recuperação e para a manutenção da atividade empresarial”, observa.


Dados recentes mostram que os pedidos de recuperação judicial e extrajudicial no agronegócio vêm crescendo em todo o país, impulsionados principalmente pelo ambiente de juros elevados, eventos climáticos adversos e pela restrição do crédito. O movimento revela os desafios enfrentados por produtores rurais e empresas que expandiram suas operações em um período de maior liquidez e hoje precisam se adaptar a uma nova realidade financeira.


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